terça-feira, 16 de abril de 2013

Aquário de São Paulo

Sou uma daqueles milhares de pessoas que até então não tinha ido visitar o Aquário de São Paulo mesmo morando aqui faz onze anos. Desculpas vão, desculpas vêm, e nunca tinha tempo para ir. Talvez por preguiça mesmo, mas o querer ir nunca saiu de minha cabeça. Foi então que resolvi ir.

No meio dessa cidade agitada, um lugar sereno e calmo em meio de água tanto doce, como salgada, a tranquilidade preserva. Como uma dança, espécies enormes, ficam a desfilar para cima e para baixo em um milhão de litros de água salgada. Espécies um pouco menor de água doce também mostram a sua beleza em tanques medianos. E no meio de toda essa calma, o bicho preguiça, o tamanduá, a cobra e os macacos dormem em um sono profundo. Somente os morcegos fazem balbúrdia.

É de se espantar com a variedade de espécies aquáticas que o local preserva. Muitos que não conseguiríamos jamais ver tão de perto, e vivo, lá a gente consegue ver. Tão próximo que vira modelo fotográfico para muitos visitantes. Espanto para muitas crianças, admiração de muitos adultos, e curiosidade de todos.

Além de todas essas atrações, o espaço apresenta meios de se ter uma preservação ambiental, as causas que ocorre a não preservação, deixando claro a importância e a responsabilidade que todos devem ter com o meio ambiente. Afinal estamos inseridos nele. A falta de preservação que pode levar a morte de animais semelhantes com aquele que achamos bonitos do outro lado do vidro.

O local também tem um pequeno museu com fósseis de peixes, tubarão, tartaruga, réplica de alguns animas antigos. Um Vale dos Dinossauros apresenta espécies da pré-história, todo mecanizado. Havia presença de esqueletos de alguns dinossauros. A evolução das características físicas do homem também podia ser visto em uma rápida passagem.

E para finalizar o passeio, nada mais do que ver os alegres e fanfarrões pinguins atraindo a atenção das criançadas e dos marmanjões. Como se eles fizessem questão de chamar atenção, lá estavam eles próximos da gente mergulhando e fazendo as suas traquinagens.

Um passeio interessante para todas as idades. Deixaria qualquer um impressionado com tanta beleza que esse mundo ainda tem, mesmo sabendo de tantas dificuldades para preservar. Mas mesmo diante de tanta dificuldade, incentivos de preservação como mostra o local, pode ser uma das soluções para que haja uma modificação cultural em um determinado povo, e assim se expandindo até que toque naqueles que realmente precisam.

Para quem se interessou e quer dar um passeio por lá, assim como eu fiz: http://www.aquariodesaopaulo.com.br/

sexta-feira, 12 de abril de 2013

SONHOS E RECÔNCAVO - pintura de Suzart


Em meio de traços delicados ondulantes como sopros de um sonho, as obras do artista visual Suzart apresentam o sonho e a cultura popular do Recôncavo Baiano. Desejos que muitas vezes ficam apenas no imaginário das pessoas pertencentes àquelas regiões, sonhos deixados para trás por não ter opção de realização, mas que através das cores o artista dá um colorido para eles. Os traços em conjunto com as cores dão o ar da mescla de raças daquela região.

O artista Valdney Suzart é natural de Muritiba, cidade localizada no interior da Bahia, teve seus trabalhos premiados no Brasil, e em outros países como na Alemanha, Estados Unidos e Senegal. A exposição conta com quinze novas obras do artista.
Em suas pinturas apresenta técnicas acrílicas, carvão ou mistas. São obras pós-modernista são simples, mas diz muita coisa quando bem apreciada.

Nelas há a presença de pessoas e objetos, mergulhados em um mundo real, irreal ou os dois juntos. Algumas provocando uma angústia enorme, outras, uma tranquilidade sombria. As cores ajudam a contar a história de cada pintura, ora cores fortes para causar impacto, como se elas estivessem gritando para o espectador, ora cores claras para refletirmos e penalizarmos com a cena diante de nós.

Em meio de traços delicados, cheio de detalhes, muitos mistérios e poesias resumem as suas obras, tornando expressivo cada tela, sem que precisemos usar a nossa razão para entender o que se passa, mas apenas nossas emoções, dizendo para nós mesmos o que ele diz.

São joias que muito não verão tanta preciosidade, mas que há muito valor. Dizendo sobre uma região de um país que moramos, sobre a cultura daquele povo, pessoas que moram lá, e muitas vezes coisas que não é somente característico daquela região, mas assim como ela, outras também podem se semelhar. Um Brasil de misturas, mas que muitos se identificarão, não apenas com a semelhança de cultura, mas sentimentos, sonhos e realidades deixadas para trás.

Essa exposição ocorreu no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, nos dias 08/12/2012 até 24/02/2013, mas, só consegui escrever agora. Para quem se interessar, apesar de não dar mais para apreciar as obras ao vivo, vale a pena ver algumas delas na internet.

Imagens retiradas do site: 
http://9dadesasolta.wordpress.com/tag/roset/
http://500px.com/RodrigoCapulleto

quarta-feira, 20 de março de 2013

Livro: "Fazer o bem faz bem" - Maria Helena Gouveia

O livro "Fazer o bem faz bem", de Maria Helena Gouveia, apresenta a história de um grupo de pessoas, que com muito amor, sem esperar nada em troca, dedicaram tempo de sua vida para acarinhar outras vidas. Trabalhos que da boa vontade de querer ajudar os outros foram fortalecidos por outras boas vontades, resultando no que chamamos de entidades sociais.

Aonde o primeiro setor, que são as organizações governamentais, ou seja, o Estado e o segundo setor, que é o privado, não regem diretamente no que chamamos de terceiro setor. Esse voltado para o exercício de cidadania, dando assistência aos carentes e sem fins lucrativos.

Um setor que sobrevive de pessoas cheias de ideias, aonde a comoção desperta um grande sentimento nas pessoas, que voluntariamente se dão ao projeto, sem esperar retribuição de outrem, porque o maior ganho de tudo isso é a sensação de dever cumprido. Se pensarmos bem, não é bem um dever cumprido, mas sim um sentimento de satisfação pelo resultado obtido. O termo dever implicaria em obrigação e isso não caberia a entrega dessas pessoas nesses projetos.

Pessoas que da experiência própria de vida, a usaram para dar forças às outras que passam ou passaram pela mesma situação. Como é o caso de Victor Siaulys, que de uma experiência real com a sua filha, uma deficiente visual, se interessou e foi além dos assuntos que se tratava de deficiência visual e fundou a Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual - Laramara.

Pessoas que de um coração solidário viu esperança aonde não tinha. Como é o caso de Liana Muller Borges, fundando a Associação Criança Brasil, em 1990, iniciando o seu trabalho com as crianças da favela, abrindo uma creche para que as mães fossem trabalhar. Acreditando naquelas crianças. Com a ideia de que elas são o começo de tudo. Ela visou em seu projeto a colocação daquelas crianças em um lugar na sociedade, não visando apenas o emprego, mas sim a formação enquanto o cidadão.

Da mesma forma solidária fez Wellington Nogueira, que poderia ser um astro da Broadway e preferiu focar o seu exercício da profissão no projeto "Doutores da Alegria". Um projeto que leva a alegria e a felicidade para aquelas pessoas que de alguma forma procuram a esperança de vida em cima de uma cama de hospital.

Assim como Wellington e outras entidades como AACD, Casa HOPE, Promove, entre outras, também estão aí plantando as sementinhas. Assim, conscientizando e trazendo uma melhora na sociedade, que nos últmos tempos vem sendo intitulada como egoísta e individualista. Sementinhas que contradiz aquela frase formada de que  "o mundo não tem mais jeito", talvez não consiga mudar de uma hora para a outra, mas sim pouco a pouco.

Avaliação:   😊😊😊😞😞

segunda-feira, 18 de março de 2013

Zuim e o carrossel


Em uma aldeia muito distante, rodeado pelos montes mais altos do mundo, vivia um mago muito poderoso e seu bichano de pelos negros. Todos que viviam por ali tinham medo deles. Viviam trancados no castelo. Zuim era o seu nome. Um mago rico e tinha tudo o que queria, mas era infeliz e maldoso. Aproveitava de seus dons para fazer maldade em seu povo. Em seu coração carregava uma revolta de infância.
Quando era pequeno, a sua mãe nunca o deixou sair de noite. Seus amigos viviam chamando o pequeno mago para brincar no carrossel.
- Mãe, eu posso ir com os meus amigos brincar no carrossel?
- Não, menino! Quantas vezes eu tenho que dizer não? Vai ler os seus livros.
E assim, todas as noites, enquanto todos iam felizes brincar no carrossel, ele ficava em casa lendo os seus livros de magia. Seus amigos o zombavam por causa disso. Ele ficou com ódio da noite e das pessoas felizes.
 O tempo foi passou, Zuim se tornou um grande mago, mas o seu rancor pela noite não desapareceu. Toda noite, da janela do seu castelo, ele via as pessoas felizes, e ficava irritado. Eram crianças brincando, casais apaixonados, o sorveteiro e o pipoqueiro que não paravam de trabalhar, e a lua e as estrelas brilhando e sorrindo para as pessoas como sempre. Então, ele decidiu que queria acabar com tudo aquilo.
Foi até o seu grande livro e encontrou a magia que queria. Caminhou até a janela e começo a pronunciar as palavras.
- AZ BRILHUM ESTRELAS VIM BUM BIM
  GIM BIM NAM ESCALAPIM BUM...
Os brilhos de algumas estrelas vieram e pousaram em uma grande bola de cristal, presa por três pés no meio da sala.
            - Hum! É isso! Toda noite roubarei um pouco do brilho das estrelas. A noite acabará! E ninguém mais será feliz.
Solta uma risada escandalosa. Aponta para o bichano.
            - Você, meu fiel e companheiro amigo, tomará conta desse meu tesouro.
Como resposta.
            -Miaaaaaauuuuuu!
            - Eu sei. Você é único que me entende!
Todas as noites ele roubava um pouco do brilho das estrelas. A noite foi ficando sem brilho. A lua foi sentindo falta de suas filhas estrelas que não brilhavam mais. Ela, então, adoeceu e foi parando de iluminar a aldeia. As pessoas com medo da escuridão, não saiam mais. O mago foi ficando feliz.
            Uma noite, porém:
            - Pronto! Já fiz o meu trabalho de hoje. Falta pouco! Amanhã eu termino de pegar todos os brilhos que me restam.
Solta uma risada apavorante, dá um beijo na bola, passa a mão nos pelos de bichano e sai.
De repente, um rato invade a sala. O bichano vai atrás. Um corre-corre daqui e dali. Derruba livro, poções, e sem perceber, esbarra em um dos pés que apoiava a bola. A bola saiu rolando. O mago aparece:
            - Nãããããããoooo!!!
A bola saiu rolando pela janela afora. Caiu no jardim em cima de uma pedra. A bola se quebrou e todos os brilhos subiram para o céu. As estrelas voltaram a reluzir. A lua feliz ficou e voltou a brilhar. O poderoso mago se pôs a chorar. Ficando triste demais. As pessoas felizes voltaram a sair de suas casas.
A lua resolveu ajudar o pobre mago. Reuniram todas as estrelas e fizeram uma surpresa para o mago. Montam um enorme carrossel em seu jardim. Ele maravilhado, monta em um dos cavalos. Com a ajuda de sua sabedoria em magia, coloca o brinquedo para funcionar. Levando Zuim em direção ao céu, sorrindo para a lua e as estrelas.
Todas as noites, então, ele passou a chamar o povo de sua aldeia para dar um passeio no carrossel. Começou a fazer amigos e a usar a magia para fazer o bem. Para sempre, Zuim foi feliz com a noite.
            Espere! Tem alguém que não ficou feliz com tudo isso, o bichano. Ele virou brinquedo da criançada.
            - Miaaaaaaauuuuuuu!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Um sonho em migalhas




Esse vídeo foi feito por um grupo de alunos, o qual eu me incluo no meio, do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de São Paulo - IFSP, onde estou fazendo Licenciatura em Matemática. A professora Sâmara, da disciplina de Leitura, Interpretação e Produção de Textual, pediu para que fizéssemos um vídeo que tinha como tema a "Erradicação da Pobreza". 

Dessa forma fizemos um levantamento de tudo o que leva a pobreza para o país, começando do indivíduo até a sociedade em que ele vive. Respondendo à perguntas como o Por quê? Como? e formas de melhoria para o país em relação a pobreza. Evidenciando o que resulta a má organização de um trabalho  governamental, e a conscientização pessoal de cada um que pode fazer toda diferença para uma sociedade.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O novelo

Quando eu era pequenino

Todos tinham um controle sobre mim
Rolava nas mãos de um menino
Sem destino, sem fim.

Aos passos lentos ele rola...

Todos comigo brincavam
Sendo eu amável
Meus nós, atavam e desatavam
Com facilidade inacreditável.

Assim, ele rola...

Fui pulando aqui e ali,
Em um ping-pong desordenado
Sem pensar em sair
Desse mundo condenado.

Sorrateiramente...

Meus nós sem soluções,
Foram se levando,
Em um caminho de emoções
Enrolando...enrolando...enrolando...
De um jeito matreiro...

Quando percebi, relutante,
O que era um pequeno carrossel
Transformara-se em uma roda gigante
Um monstruoso arranha céu.

Dissimulado...

Lentamente, ela gira cada vez mais
Decidido, fui tentar desenrolar
Mas já era tarde demais,
Para tudo desembaraçar.

A ponta!?...

De nós em nós, surgiram outros nós
Preso em um tricô de problemas
Nesse labirinto sem solução, a sós
Em um emaranhado de dilemas.

Recluso.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Saudades da vovó



Todos passam por aquele lugar, mas ninguém sabe o que ele significa para mim. Talvez a geração passada, a de minha mãe e a de meus tios, tenha outro significado totalmente diferente do meu. As novas, nem sequer sabem da importância que aquilo teve para a minha vida, nem terá para eles. Para eles aquilo é um monte de lixo que só serve para encher de pó e de cama de gato.

Olho para aquilo e engulo seco, fico triste, lembro-me da minha vovó que já se foi. Uma legítima japonesa. Como todo japonês, com heranças de costumes e cultura severa. A minha vó não foi diferente, era séria, organizada, responsável e trabalhadora. Mas quando um de seus netinhos se aproximava, o seu coração amolecia, e vivíamos ganhando bala e chocolate que ela escondia dos outros da casa, esperando a nossa ida para nos dar.

Aquilo funcionava a todo vapor, nunca apagava, tinha vida. Alimentado pela minha vó, lá ela fazia as comidas mais gostosas que já comi na minha vida. Se eu pedisse o mesmo prato para um dos melhores restaurantes da cidade, ele não conseguiria fazer igual. Eram ensopados, feijoada, bacalhoada, doce, tudo era feito lá.

Todas as vezes que eu e meus primos a visitávamos, a sua felicidade se resumia em ir par o terraço e pegar quatro frangos para preparar um ensopado para os familiares. Todos eram proibidos de colocar a mão para ajudá-la. Ela mesma se encarregava de tudo. O cheiro que aquilo exalava pelo sítio enquanto alguns jogavam conversa fora, outros brincavam de bola ou andavam de bicicleta era extasiante. Um cheiro de lenha queimada, com comida fresca. Que saudade de tudo aquilo!

Mas o tempo foi passando, sua vista era impecável, sua audição era exuberante, tinha uma força e tanto, porém, a sua memória começou a dar o seu adeus. Não lembrava mais quem era quem ou o que estava fazendo. Aos poucos o forno a lenha foi parando de funcionar, até que o seu coração cessou, e o da minha vovó também.

Hoje eu olho para aquilo e vejo que tempos são tempos, jamais serão iguais. Em minha memória guardo os momentos felizes que passei quando era criança, nunca vou esquecer a felicidade da minha vó preparando comida o dia todo para as suas visitas e os doces ganhos. Tempos que não voltam mais, e infelizmente, jamais voltará.