Pequena menina dos olhos puxados,
que vive a dançar com o seu jeito de andar.
Chinelas de madeira em seus pequeninos pés,
pra lá e pra cá...ploc, ploc, ploc, ploc, ploc...
Negros fios de cabelos lisos, presos por um vermelho laço,
todo pomposo no topo da cabeça.
Vestido amarelo todo bufante, e lá vai ela
a caçar borboletas com seu puçá.
Ploc, ploc pra cá, ploc, ploc pra lá, e lá vai ela a tentar.
- Olha mamãe eu pequei uma borboleta azul. Não é bonitinha mamãe?
- É sim minha filha.
- Mamãe, olha quanto! Eu vou soltar essa e pegar aquela amarela.
Ela solta e sai correndo,
Neco seu gato malhado preto e branco e gorducho vai atrás dela.
E pula pra cá, e pula pra lá e nada.
Neco também pula, mas nada.
Mesmo assim, rindo e alegres ficam.
Ficam a caçar borboletas. Ploc, ploc, ploc, ploc...
O sol vai dando adeus, as borboletas se vão,
o cansaço vem tomando conta dos dois.
O ploc, ploc para, e na rede, suspensa em duas árvores, no sopro do vento,
estão a menina e o gato a descansar.
* Esse texto se também encontra no site http://www.recantodasletras.com.br/infantil/3450043
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
AS ESGANADAS - Jô Soares
O autor desse livro sensacional é o brasileiro Jô Soares. A única coisa que eu conhecia dele até então, era o "Programa do Jô", à meia noite e meia, na Rede Globo. Nunca havia lido nenhum livro seu, sendo então o primeiro. Com toda a certeza vou ler os outros que ele havia publicado antes. Quando alguém lê um livro desses, logo entende o porque do grande sucesso de vendas. E assim vai rumando ao Best Seller, como aconteceu com seu outro livro, "O xangô de Baker Street".
O livro é "As esganadas". Quando comecei a lê-lo, logo conquistou a minha atenção que não consegui parar de ler. Li em apenas uma semana. Apesar de aparentemente ser um título trágico, a forma como é contada é uma mistura de inteligência e humor, que me lembra muito ele em seu programa. O que era para ser de certa forma tenso, como em outros livros de romance policial que existem por aí, não é.
O pano de fundo desse romance é Rio de Janeiro, no anos 30, no período de estado Novo de Getúlio Vargas.
São assassinatos em série, um serial killer de gordas. Caronte, herdeiro de uma funerária muito conceituada em sua cidade, tem seu psicológico abalado, ele odeia a mãe que era gorda. Sua mãe Odília tinha medo que seu filho engordasse. Em seu aniversário de dez anos, seu bolo de aniversário foi substituído por meio mamão enfeitado com vela, o que ele odiou. Em cada gorda que ele via, a imagem de sua mãe aparecia, então, ele resolveu assassinar as gordas, esganadas e com receitas de sua mãe portuguesa .
Devido a esses assassinatos, Noronha e Calixto, que são da delegacia investigam o caso. Sabendo dos assassinatos, Esteves, dono de uma rede de docerias, que anteriormente havia sido polícia de Lisboa, resolver ajudar com o seus conhecimentos. Em seguida, aparece também Diana, uma jornalista. Os quatro vão em busca de uma solução para o caso.
É um tipo de leitura para deixar fluir e viajar com a linha do raciocínio do autor. Os acontecimentos são muito bem encaixados. Todos os personagens tem um destino bem resolvidos. Apesar de ser uma história fictícia, fiquei tão curiosa e em dúvida de saber se a tal Síndrome de Nagali que o assassino portava, realmente existe, e ela existe. Outra coisa que fiquei em dúvida foi sobre o caso da Viúva Negra de Setúbal, contado pelo personagem Esteves. Sim, existe o caso da Viúva Negra, mas não é a de Setúbal, e sim aqui do Brasil mesmo. A única semelhança é a que elas matam os seus companheiros, mais nada.
O desfecho do caso é solucionado, no local é encontrado um provérbio português junto com os olhos da gordas assassinadas.
"Mal é ter os olhos maior que a barriga"
Avaliação: 😊😊😊😊😞
* Esse texto se também encontra no site http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/3448157
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
ILHA DAS FLORES
Olá pessoas, aqui estou em mais um dia, dia ensolarado. Ótimo para ir à praia. Bom para sair, se encontrar com os amigos, programar algo para a noite, passear nos parques, chupar sorvete, e tudo mais. Dia de sol, é dia de sol. Dia de alegria. Mas, para quem preferir ficar em casa, não tem problema. Tenho um convite a fazer. Que tal assistir a alguns curtas-metragem. Entre nesse site: http://www.portacurtas.com.br/index.asp#Hoje vou falar de um curta que já havia visto faz muito tempo, em tempo de escola, quando eu tinha meus 12 anos, e acabei achando ele novamente nesse site que citei acima. Um filme que marcou muito na minha vida. Na época não achava esse filme facilmente, queria revê-lo outras vezes, mas hoje, devido a tecnologia e a internet, tudo muda.
O filme é "Ilha das Flores", direção e roteiro de Jorge Furtado, do ano de 1989. Apesar do ano, depois de 23 anos, muitas histórias ainda se repetem pelo Brasil. Logo no início aparece escrito "Este não é um filme de ficção". A história se passa na cidade de Porto Alegre, em um depósito de lixo que tem o mesmo nome do filme.
O filme é bem crítico em muitas coisas. Por exemplo, a comida que é jogada no lixo pela dona de casa, para onde o lixo é levado, Ilha das Flores, exatamente nesse lugar, aonde animas e humanos brigam pela comida que foi jogada pela dona de casa. Aonde o que os porcos rejeitam, mães e crianças pobres pegam para comer. A grande desigualdade social. O capitalismo aonde alguns tem demais, e outros pouco tem.
Tudo é apresentado de uma forma não romântica, mas rápida e um pouco humorada, para que toda a informação contida no filme, nos sirva para pensarmos depois, e não para nos emocionarmos. Uma trajetória explicativa do homem, capitalismo, até chegar a plantação do tomate, e o seu destino final.
FICHA TÉCNICA:
Gênero: Animação, Documentário, Experimental
Ano: 1989
Duração: 13 minutos
Direção e roteiro: Jorge Furtado
Produção: Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil, Nôra Gulart
Fotografia: Roberto Henkin, Sérgio Amon
Edição: Giba Assis Brasil
Direção de Arte: Fiapo Barth
Elenco:
Paulo José (Narração)
Ciça Reckziegel (Dona Anete)
Trilha Sonora:
"Fantasia sobre O Guarani", de Geraldo Flach, com Zé Flávio na guitarra
PRÊMIOS
Urso de Prata no Festival de Berlim 1990
Prêmio Crítica de Público no Festival de Clermont-Ferrand 1991
Melhor Curta no Festival de Gramado 1989
Melhor Edição no Festival de Gramado 1989
Melhor Roteiro no Festival de Gramado 1989
Prêmio da Crítica no Festival de Gramado 1989
Prêmio do Público na Competição "No Budget" no Festival de Hamburgo 1991
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Poeira humana
Andando livremente de abraços abertos ao encontro do nada
Descubro que o mundo é muito grande em meus braços.
Sentindo o vento que passa por mim levando tudo
A cada hora, um minuto, um segundo
A cada segundo, um segundo a menos em minha vida.
Sejam eles alegres ou tristes, mas vividos.
Muito grande é o mundo para se limitar a um conta tempo.
Diante de tanta beleza,
Seja ela na cidade, na mata selvagem, ou até mesmo no deserto.
Uma imensidão que dificilmente uma fotografia ou alguém conseguiria descrever
Uma sensação tão íntima, que toca até mesmo o coração dos mais ruins.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
"A MONTANHA E O RIO" - Da Chen
Mais um ano se passou, e aqui estou, como todos, em mais um começo de ano. Ano de 2012. Como todo começo de ano, sempre, cheio de promessas, mudanças, alegria e a espera do carnaval. Se bem que carnaval para mim, não faz a mínima diferença, é mais um dia como outro qualquer em meu calendário. Deixando de lado toda essa baboseira, aqui estou para escrever de um livro que acabei de ler e recomendo.
Mas antes vou contar a história desse livro, que não é a história do livro. Todas a vezes que eu vou à livraria, qualquer que seja, eu sempre vou correndo ver a exposição dos livros de novidades, mais vendidos, indicados, enfim. Um dia, faz um tempinho, eu vi esse livro, adorei a sua capa, o seu título, sua resenha, foi paixão a primeira vista, mas quando vi o seu preço, R$ 49,90, logo desisti. Mas foi difícil desapaixonar dele, eu queria ler o livro. Não sei se essa coisa de força de pensamento funciona, como diz nos livros "O segredo"- Rhonda Byrne, ou naquele outro "A lei da atração"- Michael J. Losier, o de pensar em uma 'coisa' que você quer muito, e com toda a certeza, ela virá em suas mãos. Pena que nunca vem a quantia de dinheiro que eu quero. Foi então que um dia, a minha ex-cunhada Carol, me apareceu com o livro e deu ele para mim. Não veio o dinheiro, mas veio o livro.
O livro é do autor Da Chen, e se chama "A montanha e o rio". Nascido no sul da China, emigrando para os EUA aos 23 anos. Formou pela Faculdade de Direito da Universidade de Columbia. Mora na região do vale do rio Hudson, no estado de NY, com a esposa e os filhos. Ele levou oito anos para concluir essa obra.
Depois de tanto blá, blá, blá, vou enfim escrever sobre a história do livro.
O livro "A montanha e o rio" traz consigo dados históricos da China como pano de fundo desse grande romance. Aonde o comunismo representado pelo personagem Shento, a montanha, o ditador, vive em conflito com Tan, de pensamento capitalista, o rio, o dissente. Mas pensem vocês, que o desentendimento de ambos era realmente proveniente disso, isso era apenas a cereja do bolo, melhor dizendo uma desculpa para a 'guerra' entre os dois. O real motivo de todo esse desentendimento era Sumi.
A maneira como Dan Chen, descreve o nascimento de Shento é extraordinário, simples e poético.
"...transformando-se numa espécie de mito ao saltar do ponto mais alto da montanha, comigo ainda ligado a ela pelo cordão da vida, o emaranhado cordão umbilical. Pulei para fora antes que ela se atirasse no abismo, nascido em pleno ar, pairando acima de tudo...A mão do destino interveio...fiquei subitamente agarrado aos galhos de um arbusto de chá...Num segundo que podia ter durado a vida inteira, rompeu-se o cordão umbilical...soltei um grito assustador...Fiquei balançando, suspenso nas alturas, preso nos galhos daquela planta abençoada. Minha mãe mergulhava em direção ao fundo..."
O livro todo carrega consigo esse tom poético, envolvente, que dificilmente quem começar a ler vai conseguir parar de ler. Escrita de maneira simples e sutil. Sua escrita me lembra a água do rio manso, que corre livremente, sem barreiras, sem obstáculo, sem pressa para chegar ao seu destino. Os únicos apressados somos nós, que temos a ânsia de querer saber de fato a fato de cada capítulo.
Eu vou escrever superficialmente sobre os personagens principais. Muitas coisas não serão citadas. Para deixar um gostinho de quero mais, assim, todos que lerem isso, vão querer ler o livro.
Shento era um filho ilegítimo do general Ding Long, pobre, órfão de mãe, criado por quem ele chama de baba e mama. Nasceu, cresceu em Balan, Sudoeste da China. Sua vila pegou fogo, em um conflito da China com o Vietnã, ele achou que seus pais adotivos haviam morrido, assim, é levado para uma escola do Exército de Fujian, aonde diante de toda a amargura que vive ali, conhece uma criatura doce e amável, Sumi. É condenado a morte. Ele queria ser um general. Queria destruir o seu pai e todos envolto dele. Principalmente Tan, seu meio-irmão. Também queria Sumi.
Tan, filho legítimo do general Ding Long, rico, tinha de tudo, adorado pelos avôs Long, economista e Xia, comandante do exército, marinha e aeronautica. Seus avós eram bem próximos do presidente Mao Tsé Tung. Criado em Beijin. Tinha uma vida de luxo, até que o presidente Mao morre, e Heng Tu assumir o lugar. Depois disso, sua vida tornou-se simples, em Fujiam, no campo, no Solar dos Long. No meio de uma Revolução Cultural, não tinha uma escola descente por lá. Sr Koon vai à casa dos Long e convida Tan para ser seu aluno. Nessa escola Tan conhece Sumi. Ambos fazem muitas coisas juntas desde então. Apesar da intervenção em muitas coisas de seu meio-irmão, por causa de Sumi, ele consegue contornar a todas elas. Intervenções que sacrificaram a vida daqueles que eram seus amigos. Machucando até mesmo Sumi.
Sumi Wo, orfã de pai e mãe, conhece Shento, com o qual teve um filho e é expulsa da escola de Exército de Fujian, por estar grávida. É comprada por Gordo para ser futuramente a noiva de seu filho problemático, acreditavam que um dia ele iria ser normal, e Sumi casaria com ele. Enquanto isso, Sumi cuidava do rapaz e de seu filho. Ela consegue se livrar disso, graças a força dela e a ajuda de Tan e Sr. Koon. Tan e Sumi se formam na Universidade de Beijin. Fica conhecida pelo seu livro "A orfã". Para a ironia do destino, Shento aparece de repente em sua vida. Sua mente fica confusa, e começa a guerra entre Tan e Shento.
"Apaixonada por dois irmãos! Eu amaldiçoava o meu próprio destino, as três facas cravadas nele. Quem eu deveria escolher? Shento, com sua crueza da gente das montanhas e sua sede desesperada? Ou Tan, com o coração amoroso que tranquilizava minha mente, sem deixar espaço para a mágoa e a solidão, fazendo com que eu não precisasse mais nada? Um morreria por mim. O outro não viveria sem mim."
Avaliação: 😊😊😊😊😊
* Esse texto também se encontra no site http://www.recantodasletras.com.br/resenhasdelivros/3445020
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Sonho de criança

Outro dia, eu estava correndo, brincando, gargalhando, e tudo mais. Parecia que eu era uma criança demasiadamente feliz, como nunca fui, tão saltitante, brincando com todos e todos me incluindo em suas brincadeiras. Eu e muitas crianças estavamos nos divertindo. Eramos livres em uma terra desconhecida.
Um lugar misterioso e convidativo. Uma rua que dava em uma viela. Uma viela calma que se abria no formato de uma piscina sem forma, com um imenso chafariz. Um chafariz que cuspia muita água límpida. Em seu chão muitas moedas douradas, que reluziam com o sol. Sua água desembocava em um lindo lago cheio de peixes coloridos.
Em uma das bordas do lago tinha uma placa dizendo que Mr. Frog habitava por alí. Mais a frente lá estava ele, dentro do lago, em cima de uma vitória-régia. Como um marajá, ele exibia a sua cartola preta e seu charuto recém aceso. Em suas baforadas, muitos desenhos se formavam. Algumas crianças tentavam alcançar os desenhos. Mas suas tentativas eram frustrantes.
Muitos pássaros voavam, eles pareciam participar de nossas brincadeiras. Pássaros de penas longas e coloridas. Alguns tinham em suas penas mínúsculas pedras brilhantes, que formavam flores. Pareciam que alguém as tinham vestidas em vestes de gala.
O gato branco dormia tranquilamente no parapeito da janela de um das casas da viela. Um bichano gordo, de pelos longos. Seu ar preguiçoso era um destaque. Mesmo com a nossa gritaria, ele não estava nem aí, podia o mundo acabar, e lá estava ele, deitado, desdenhando da nossa gritaria.
Muitas árvores compunham o cenário. As crianças escalavam elas para pegar frutas. Frutas vermelhas, amarelas, laranjas. Cada árvore com o seu fruto. Nunca tinha visto aqueles frutos tão deliciosos, doces e apetitosos. Os macacos também comiam os frutos. Eles competiam com as crianças gulosas. Cada vez que um fruto era apanhado, outro fruto ocupava o mesmo lugar.
A chuva veio e todos vibraram com a ela. Cada pingo, uma comemoração. Uma chuva passageira. Que logo a chuva se foi e o sol voltou todo reluzente, trazendo um lindo arco-íris. Uma das pontas do arco-íris acabava no chafariz. Muitas crianças tentavam pegar as cores flutuantes. Mas nenhuma delas tiveram sucesso. De repente, as cores foram sumindo e dando lugar para a beleza do pôr-do-sol. Todas ficavam encantadas, e apreciavam o tal fenômeno, presente da natureza.
Ninguém se cansava. Não tinha adultos para proibir. Não tinha relógio para contar as horas. Eramos donos de nós mesmos em um mundo de ninguém.
Comecei a escutar uma música. Ela foi aumentando, aumentando e aumentando. Até que me dei conta, de que toda aquela realidade era um sonho. No momento em que abri os meus olhos, eu queria voltar. Queria ser um daqueles bruxinhos de JK Howling, e poder 'aparatar'. Voltaria para aquele lugar mágico. Um lugar cheio de encanto.
Esse texto você pode encontrar no link: http://www.recantodasletras.com.br/juvenil/3442388
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Meu presente de Natal
Todo Natal é a mesma coisa, presentes para todos os lados. É presente pra mãe, pro pai, tio, tia, avô avó, primos, primas, namorado, filho, amigos. Uma lista imensa, quase sem fim. Os mãos-de-vaca não contam. Praticamente é o maior comércio do ano. Esqueceram totalmente o sentido do Natal. Com exceção de alguns católicos que ainda festejam o nascimento de Jesus. Outros preferem se empanturrar com as deliciosas comidas feitas durante um dia inteiro de trabalho das avós e mães.
Mas convenhamos, quem é o indivíduo que não gosta de ganhar um presente? É sempre uma alegria ganhar algo. De ser lembrado por alguém, independente se gostamos ou não do conteúdo. Acredito que inventaram o amigo secreto com o intuito, de que ninguém fique sem presente. Todo mundo ganha um e fica feliz.
Bom! Sabendo que o Papai Noel, de novo, não vai trazer o meu presente. Aliás, não sei até hoje qual é o critério de seleção para esse bom velhinho, não sei o que é ser bonzinho pra ele. Todo ano sempre fui boazinha e ele sempre esquece de mim. Mas fazer o que? Sabendo disso, que não vou ganhar nada dele mesmo. Prefiro pedir para alguma alma caridosa. Que goste de mim. Que tenha uma grande alegria ao conversar comigo. Que me adore. Não precisa me idolatrar e nem amar demais, daí é exagero. Pode ser um amigo, um colega, um conhecido, um admirador secreto, um seja lá o que for, eu aceitarei o presente de coração aberto.
Vou colocar o que eu quero. Não sou chata. Nem exigente. Eu sei que alguns alguém que poderá me dar o presente tem condição o bastante, mas não vou abusar. Vou colocar aqui o que sempre peço ao Papai Noel, mas ele nunca me trouxe.
Em um ano que pedi, não faz muito tempo, eu queria muito aquele carro alto, que quase toda mulher dirige, o Tucson. Mas como percebi que foi demais para o bom velhinho me dar, no ano seguinte pedi um EcoSport, que era um pouco mais barato. E novamente, ele não me trouxe. Então, no ano seguinte, me contentei em pedir um carro popular mesmo, um C3, da Citroen. Mas infelizmente ele não me trouxe.
Desisti de carro, então no ano seguinte mudei de tática, pedi apenas um apartamento simples no centro de São Paulo ou Rio. E nada. Pensei comigo mesma. Acho que estou pedindo coisas impossíveis para o bolso do bom velhinho. Se eu pedir um presente desses, e os outros? Não sobrarão dinheiro para comprar os presentes para os outros. Foi então que caiu a ficha, eu estava sendo uma menina má, sendo egoísta, não pensando nos outros.
Por isso, no ano seguinte resolvi ser humilde. Pedi um notebook. Assim, dava para ele carregar em seu trenó, e é muito mais barato que os outros presente que eu havia pedido para ele. E daria para comprar presente para muitas pessoas. Mas nada! No ano seguinte, pensei mais baixo ainda, pedi uma coisa mais humilde, um CD. E fiquei na esperança de que ele ia trazer. Montei a minha árvore, toda brilhante, com o presépio e tudo mais. E cadê ele? Cheguei a uma conclusão. Que o Papai Noel é pão duro e mão de vaca. E se eu fosse ou não fosse boazinha, não iria ganhar nada do mesmo jeito. Então o jeito foi apelar.
Não farei mais o jeito bonzinho. Já que não vou mais ser boazinha. Sendo assim o Papai Noel vai me cortar de sua lista de presentes. Por isso, peço um presente simples e humilde. Não é carro, nem apartamento, nem notebook, nem celular, nem uma bicicleta, é apenas um livro. Pode ser qualquer livro.
Como já disse, não sou exigente. É o seguinte, acho o livro de auto-ajuda engraçado, mas não é o que estou precisando no momento. Não quero livros religiosos, já lia a bíblia, isso basta, nada de bitolação. Não quero os didáticos porque não tenho interesse em saber de uma coisa específica, técnica. Pode ser um livro de romance, detalhe, já li todos do Sidney Sheldon e Nora Roberts. Li a maioria dos Best Seller. Também já li a maioria desses que fizeram filme baseado nele. Não gosto daqueles livros que fica 200 páginas enrolando pra dizer uma coisa somente. Tem que ter ação. Tem que me surpreender. Coisa óbvia, eu vejo novela.
Também sou fascinada por biografias. Mas não gosto daqueles textos chatos. Cheio de tópicos. Que parecem coisas técnicas. Gosto de biografias romantizadas. Adoro livros de fácil compreensão. Não precisa ser complexo. Pra que? Tem que ficar toda hora no dicionário, e quando você vai ler da onde você parou, tem que voltar a frase todo outra vez. Isso é chato! Isso me lembra aquele livro do Gil Vicente - "O Auto da barca do Inferno". Massante!
Será que alguém sabe um livro com todas essas descrições? Quem souber, pode me dar. Estarei esperando. Não façam igual o Papai Noel que me iludiu todos esses anos. Será um presente inesquecível. Fará parte da minha prateleira de livros. Será um de meus xodós. Não emprestarei para ninguém. Irá para todas as mudanças da minha vida. Levarei sempre comigo nos arquivos de minha memória.
* Isso é apenas uma brincadeirinha de espírito natalino.
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