terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"A culpa é das estrelas" - John Green

Hoje, eu vou escrever sobre um livro que me fez chorar rios de lágrimas. O livro é "The fault in our stars" ou "A culpa é das estrelas", de John Green, um romance leve voltado para o público jovem. Sinceramente, o livro não é aquela coisa extraordinária que deixa os corações a mil - se é que me entendem - mas a história é muito comovente. O livro originou o filme de mesmo título, em 2014, portanto para quem quiser chorar mais, é só assistir o filme também.

O livro traz a história de uma garota, Hazel Grace,  prestes a fazer dezessete anos, que passava a maior parte do tempo dentro de casa deitada em uma cama. Aos treze anos, ela contraiu um câncer na tireoide, que no decorrer do tempo acabou evoluindo para uma metástase no pulmão, fazendo-a utilizar um cilindro de oxigênio. Sua auto-estima estava totalmente para baixo, vivia deprimida pensando a todo momento na morte.

Sua mãe preocupada, vai em busca para a solução, e recebe uma recomendação para que a garota participe de um Grupo de Apoio, uma vez por semana. Contra a sua vontade, Henzel vai e acaba conhecendo outras pessoas que passavam por problemas semelhantes ao dela. Ela achava tudo aquilo muito chato, exceto o jovem Isaac que sofria de câncer nos olhos. Mas em um desses encontros ela conhece Augustus Waters, o que a faz balançar sentimentalmente.

Augustus, o menino do cigarro apagado, tinha dezessete anos, teve uma das partes da perna amputada por causa da osteosarcoma. Ao contrário de Hezel, ele queria viver a vida, era bem humorado, e nada o deixava pra baixo. Ele guardava um segredo. Em uma de suas conversas, Hezel fala de seu livro favorito 'Uma aflição imperial', de Van Houten. Ela adorava o livro, não apenas pelo fato do autor ser bom, mas sim, por achar que ele a entendia.

"Uma aflição imperial era o meu livro, do mesmo jeito que meu corpo era meu corpo e meus pensamentos eram meus pensamentos."

A história que o autor trazia nesse livro era a de uma garota chamada Anna, que tinha um tipo raro de leucemia. O grande problema de tudo isso era que toda a história acabava com uma frase inacabada. E qual seria o seu final? A ideia que fica é que a menina Anna estava escrevendo quando de repente se foi. Hezel fica angustiada sem saber o final.


Assim, Hezel e Augustus tem a ideia de procurar uma forma de entrar em contato com o autor para saber qual era o desfecho da história. Portanto, o autor propõe que se quisesse realmente saber o final eles teriam que ir para Amsterdã. Vão Hezel e sua mãe, mais o Augustus. Muitas coisas acontecem por lá. A paixão entre o jovem casal aumenta. Por outro lado, ficam decepcionados com Van Houten. Augustus conta o seu segredo para Hezel.

Todos voltam de Amsterdã. O menino do cigarro apagado fica mal. Hezel escreve para seu amado:

"...existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Obviamente, existe um conjunto ainda maior entre o 0 e o 2, ou entre o 0 e o 1 milhão. Alguns infinitos são maiores que outros...Queria mais números do que provavelmente vou ter, e, por Deus, queria mais números para o Augustus Waters do que os que ele teve. Mas, Gus, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito..."

Van Houten procura por Hezel. Ela não queria mais vê-lo. Em um trecho de uma carta que Augustus escreveu para Van Housten, ele dizia:

"...O que mais? Ela é tão linda! Não me canso de olhar para ela. Não me preocupo se ela é mais inteligente que eu: sei que é. É engraçada sem nunca ser má. Eu a amo. Sou muito sortudo por amá-la, Van Houten. Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas. Espero que a Hazel aceite as dela..."

Na minha opinião, esse é aquele tipo de livro que serve como 'Grupo de Apoio', citado na história, nos faz refletir sobre algumas coisas de nossa vida, principalmente para aqueles que passaram pelas mesmas situações como a de Hezel, Augustus, Isaac, ou até mesmo para aqueles que tiveram momentos da vida muito conturbado, achando nunca mais ter fim.

Fica aquele dilema: Vale a pena esperar a morte chegar, como a personagem Hezel antes de conhecer Augustus? Ou, como Augustus, viver a vida como se não houvesse o amanhã, apreciando cada momento? Sabendo que mesmo não estando doente, que seja, em fase terminal ou não, até mesmo não estando acamado, uma hora ou outra todos iremos. Nesse caso, então, o ideal seria aproveitar cada momento da vida, ou seja, o conjunto de 'infinitos' que a vida nos proporcionou. Vale a reflexão. Corra ler o livro!

Avaliação:   😊😊😊😞😞

sábado, 14 de janeiro de 2017

"O menino do pijama listrado" - John Boyne

Hoje, eu vou falar de um livro muito interessante para jovens que adoram uma história com pano de fundo histórico. Pelo menos para mim, histórias desse tipo me fazem parecer reais, obviamente, àquelas que são ficcionais. O livro é "O menino do pijama listrado", de John Boyne, e foi adaptado para cinema em 2008. Uma história que, realmente, você fica na dúvida se ela é real ou ficção, mas ela é fictícia.

A história se passa na Alemanha nazista e, quando falamos do nazismo, para aqueles que tem uma base de estudo em história geral, lembramos logo da forma covarde como os judeus foram tratados, dos campos de concentração, a política instaurada por Hitler, holocausto, atrocidades, entre outras coisas que ocorreram na época. Apesar de se tratar de algo tão denso como esse, o autor conseguiu deixar a narrativa de uma forma doce e inocente.

Bruno tem nove anos, mora em Berlim, e ao chegar em sua casa depara com Maria, a governanta da casa, fazendo as suas malas. Ele não entende nada. Aflito com tudo aquilo, vai tirar satisfação com a sua mãe, mas não está convencido de sua justificativa. Sua mãe lhe diz que estariam mudando por causa do trabalho de seu pai. Ele chegou a conclusão de que não sabia em que seu pai trabalhava. Apenas que:

"Só era capaz de dizer que seu pai era um homem para ser observado e que o Fúria tinha grandes planos para ele. Ah, e que ele também tinha um uniforme fantástico."

O que o Bruno não sabia era que seu pai era um importante militar nazista e trabalhava para o que chamavam de Fúria. No livro não deixa claro mas, certamente, o pai dele trabalhava para o Hitler.

Os preparativos para as mudanças estavam ocorrendo. Bruno ainda não estava convencido da ideia de deixar a casa, os seus amigos Karl, Daniel, Martin, e de ter que adiar os planos que tinham com eles. Assim, contra a sua vontade, acabou indo para a nova casa em Haja-Vista. Como era muito diferente da casa que moravam, em Berlim. Ao redor não haviam ruas, pessoas andando, lojas e bancas, tudo parecia vazio e solitário. Ele estava muito chateado com tudo aquilo.

Contemplando as janelas dos quartos, em particular a dele, Bruno e sua irmã Gretel vê algo que os fazem ficar curiosos. Meninos de todos os tamanhos, homens de todas as idades...e as mulheres? Onde estão elas? Que lugar era aquele? Que são todas aquelas pessoas? O que elas fazem lá? Quantas pessoas! Todos usavam uma espécie de pijama e boné cinza listrado. Aquilo era assustador e curioso!

Desde que se mudou raramente via seu pai, ele passava a maior parte do tempo trancado em um escritório onde era Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção. Bruno aprendeu dele uma saudação que consistia em juntar os dois pés, a palma estendida, vinda do peito para a frente, dizendo:

"Heil Hitler", disse, o que Bruno presumia ser outra forma de dizer: “Bem, até logo, tenha uma boa tarde”. 

O menino adorava explorar lugares mas, em Haja-Vista ele estava proibido de fazer isso. Algo o encabulava desde o dia que chegou na nova casa. Sua vontade era maior que a proibição, então, resolveu caminhar, até que encontrou e leu uma plaquinha de bronze que dizia:

“Campo de HajaVista”, prosseguiu, tropeçando no nome como de costume. “Junho de 1940.”

Continuou a explorar envolto da cerca, e encontrou um menino, o Shmuel. Começaram a conversar. Bruno fazia questão de ir todos os dias para conversar com o novo amigo, também levava comida para ele. Falavam de como eram suas vidas antes de Haja-Vista, de como é viver agora na cidade, mas nenhum deles tinha a noção do que estava acontecendo naquele momento. Ambos vão relatando o que estão passando, cada qual em seu lado da cerca.

"Certa tarde, Shmuel apareceu com um olho roxo, e quando Bruno perguntou por que seu olho estava daquele jeito, ele simplesmente balançou a cabeça e disse que não queria falar sobre aquilo. Bruno imaginou que houvesse valentões por todo o mundo..."

Shmuel não vê mais o seu pai. Queria muito encontrá-lo. Passa a procurá-lo, mas não tem sucesso na busca e pede ajuda para o seu amigo Bruno. Ele aceita ajudá-lo. Infelizmente essa inocente amizade o leva a distorção da imaginação que Bruno tinha daquele lugar, levando-o para um caminho sem volta. Bruno tinha o sonho de voltar para Berlim. Aliás, era tudo o que queria. O que teria acontecido com Bruno? E o pai de seu amigo Shmuel foi encontrado? Teria Bruno realizado o seu grande sonho? Deixo para que vocês descubram lendo o livro. Talvez se o pai de Bruno tivesse saciado a curiosidade do menino, muitas coisas seriam diferentes.

O livro é muito bom, mas é bem triste, eu fiquei bem emocionada em diversas partes do livro. A história toda traz a delicadeza da inocência e pureza de duas crianças em um ambiente nada delicado. Para elas, judeus e alemães não tem distinção porque a ideologia ainda não foi implantada em suas mentes. Não tem a noção do que é uma guerra, aliás, não sabiam que estavam em uma. Vale a pena ler!

Avaliação:   😊😊😊😊😞

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"Os Bebês de Auschwitz" - Wendy Holden

Para quem gosta de livros autobiográficos fundado em fatos históricos, assim como eu, o livro "Os Bebês de Auschwitz" é uma boa opção. Escrito pela jornalista Wendy Holden, o livro apresenta a história de três mulheres judias que estavam grávidas quando foram capturadas pelos nazistas e levadas para o campo de concentração.

Toda jovem moça recém-casada tem sonhos, planos para o futuro e querem formar família, mas infelizmente, esse não foi o destino das jovens como a Priska, a Rachel e Anka, que durante a Segunda Guerra Mundial, junto com seus maridos deixaram as suas casas e foram levados pelos nazistas para os campos de concentrações.

Suas malas foram confiscadas, mulheres e homens foram separados, crianças pequenas e velhos em filas diferentes, mais um amontoado de cadáveres que não resistiram a longa viagem por causa das más condições em que os vagões de trem vieram. De repente, tudo se transformou em medo e horror. Seus destinos eram incertos.

"Estávamos desembarcando, mas não sabíamos onde. 
Estávamos com medo, mas não sabíamos de que." - Anka

Uma coisa interessante que o livro traz é a história da família de cada uma dessas mulheres antes de irem para os campos de concentrações. Ao modo que após irem, tudo foi arruinado, não teriam mais família, casa, trabalho...identidade. Eram agora números.

As moças jovens eram separadas para 'brinquedo' sexual dos homens nazistas. Muitas morriam por causa das doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres grávidas tinham dois destinos, uma, ser o objeto de experiência para medicina, outra, seus bebês serem os objetos de experiências. Deixando claro que essas experiências eram desumanas. Tanto Priska, como Rachel e Anka, sabendo que estavam grávidas, negaram a sua gravidez quando foi interrogado pelo Dr. Joseph Mengele, mais conhecido como anjo da morte, que selecionava os prisioneiros para experiência médica, por medo.

"Eles caminhavam entre nós e olhavam as mulheres para selecionar as mais novas e saudáveis. Não havia bebês nem mães alí. Apenas mulheres saudáveis que podiam trabalhar." - Rachel

O livro também relata os horrores, humilhações, violência e crueldade que essas mulheres passaram e que viram suas companheiras passando. O trabalho árduo em troca de má alimentação e acomodação, sem boas condições de higiene e saúde.

"Delirando de fome, algumas desmaiavam. Outras deitavam de lado, encolhidas, como em Auschwitz. seus corpos se deterioravam ainda mais debaixo daquelas roupas imundas, e toda a esperança desvanecia junto."

Além das auto-estimas estarem baixa, o psicológico também era abalado por conta da pressão, medo, angústia que passavam a cada dia, por ver companheiras, ou pessoas da família sendo levadas para algum lugar, que elas não sabiam, e não voltando mais. 

O mais impressionante de tudo isso foi como essas mulheres pesando em torno de 30kg, trabalhando por 14h, com condições precárias de tudo o que uma vida humana deve ter, sobreviveram e conseguiram levar a gravidez adiante. Como se aquelas crianças em seus ventres fossem algo a que elas se agarraram, talvez, uma força, que tiveram para sobreviver diante aquele horror. Seus bebês vieram ao mundo pesando cerca de 1,5 Kg, nasceram quando os alemães estavam prestes a dizimar toda a população em câmara de gases. 

"...os nazis não lhe tiraram o bebê, porque no dia seguinte iam ser todos mortos. Priska escondeu o bebê dentro da roupa. A viagem de dois dias para Buchenwald transformou-se numa longa deslocação de 17 dias porque o campo tinha sido libertado e os nazis tiveram que alcançar um outro campo onde pudesse ser possível desembarcar milhares de pessoas e depois matá-las."

Hana e Priska (1949)

Sala, Rachel, Esther com o bebê Mark (1946)

Anka e Eva (1945)

O livro é muito bom, apesar de ser muito triste. Ele também apresenta muitas informações históricas ricas. Toda a trajetória histórica, iniciando em 1944, finalizando com o suicídio do Hitler e os alemães libertando os judeus. Para ler esse livro tem que ter um emocional muito forte, porque você vai refletir sobre muitas coisas em relação ao 'homem', como, até que ponto um ser humano é capaz de cometer tantas atrocidades com outro ser humano, ou até mesmo, a força que os judeus tiveram para se reerguerem, estando debilitados, e sabendo que muitos estavam sós sem as pessoas que mais amavam, que eram suas famílias, entre outras coisas. Boa leitura!

Avaliação:   😊😊😊😊😊

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

"Cazuza - Só as mães são felizes" - Lucinha Araújo

Hoje, eu vou escrever sobre o livro de um ídolo, uma figura icônica que marcou o rock nacional dos anos 90. Você vai me falar algumas figuras, e dentre essas, com certeza estará ele. Sim! É o Cazuza. Para quem é fã do Cazuza, assim como eu, ficará curiosa em saber algo mais sobre esse artista. O livro é uma biografia do Cazuza, ao qual, Regina Echeverria ouve o depoimento de Lucinha Araújo, mãe do cantor e poeta.

O livro inicia com o Cazuza no hospital, quando o seu estado de saúde está péssimo. Ele está morrendo. Vítima de AIDS, seu estado era deplorável. Naquela época, a medicina ainda não tinha muito conhecimento sobre doença, e muitos que contraiam a doença acabavam morrendo. Chegou a fazer tratamentos no Brasil e no exterior, mas de nada adiantou.

Ou seja, o livro começa com a morte do cantor, e depois vai para 'o como tudo começou'. Época em que Cazuza ainda não existia. Inicia com Lucinha, que viria a ser mãe de Cazuza, quando era mais nova, até quando conheceu o seu futuro marido e pai do Cazuza, João Alfredo. Toda a trajetória de vida de ambos e o relacionamento com seus pais, no caso avôs de Cazuza, também são mencionados.

Lucinha e João se casam e vão morar em Ipanema. Três meses depois, vem a notícia da gravidez. Em 4 de abril de 1958, numa sexta-feira santa, Cazuza vem ao mundo. Mas com nome de registro de Agenor de Miranda Araujo Neto, nome de seu avô, que acabaram por apelidar...Bom! Vocês já conhecem o apelido. No livro também traz o verdadeiro significado do apelido, que deixarei para vocês descobrirem ao ler.

Desde pequeno, apesar de tímido, era arteiro. Gostava de brincar com fogo. Levou um esfregão de pimenta na boca por falar palavrão à sua mãe. Costumava dizer:

"- Quando eu desobedeço e minha mãe fica zangada, sai fogo pelo nariz dela e cresce rabo."

O tempo foi passando e Cazuza foi estudar no colégio Santo Ignácio, mal esperavam que toda a rigidez e seus métodos que aplicavam faria com que o garoto se rebelasse com tudo aquilo. Durante o tempo de criança, tinha aptidão para muitas coisas. Era criativo. Adorava criar histórias de vários gêneros. Também gostava de geografia. Era curioso, e adorava consultar a Enciclopédia Barsa.

Mas quando chegou na época da juventude, a rebeldia e a teimosia se acentuou. Conheceu a bebida e a droga, que passaram a fazer parte de sua vida. Estudou arte dramática no exterior. Foi trabalhar na Som Livre com o pai, escrevendo releases dos artistas, função pelo qual se saiu muito bem. Foi o maior incentivador para sua mãe cantar chegando a gravar um disco. Foi estudar fotografia no exterior, mas não chegou a concluir.

Como seu pai trabalhava na gravadora, teve conhecimento com muitos profissionais da área, e também teve contato com muitos artistas. Léo Jaime, músico, sabia que uma banda estava precisando de vocalista, então, apresentou Cazuza. Formou-se, então, a banda Barão Vermelho, onde ele passou a ser o vocalista e letrista. A banda fez muito sucesso. Cazuza conseguiu sair da casa dos pais para morar sozinho em Leblon, local onde passou a ser ponto de altas festas.

Após desentendimento com a banda, Cazuza anuncia a sua saída e inicia a carreira solo. Em suas canções são muito nítida suas ideologias, o momento político em que o Brasil vivia, desilusões amorosas, o amor que tinha dos pais, sexo, droga, a doença. Tudo, era relacionado a sua vida e no que girava em torno dele.

"Espero que, no futuro, não se esqueçam do poeta que sou. Que as pessoas não se esqueçam de que, mesmo num mundo eletrônico, o amor existe. Existem o romance e a poesia. Que mais crianças venham a nascer e é fundamental o amor aos pais."

Após a descoberta de que havia contraído o vírus da AIDS, ele continuou fazendo os shows, mas vezes ou outra, seu estado de saúde piorava. As tosses eram constantes. Chegou um momento que não teve mais jeito, parou de fazer show. A maior parte do tratamento foi realizado em Boston. Em julho de 1990, aos 32 anos, Cazuza veio a falecer.

Lucinha precisava de forças para continuar vivendo sem seu filho, senão ela morreria por dentro, ficaria deprimida. Depositou toda a sua força que ainda restava fundando uma instituição que abrigaria pacientes soropositivos, a Sociedade Viva Cazuza.



"Só as Mães São Felizes é uma homenagem às pessoas que vivem o lado escuro da vida, aquelas que preferiram trocar o escritório pela rua, que resolveram viver e escrever a vida."

É um bom livro para ser lido. Para quem é fã, é obrigatório. Você se emociona em muitas partes do livro. Entende as consequências de uma 'vida louca' tanto as boas, como as ruins. E sabe, que apesar de morto, a 'alma' desse ídolo ainda continua por aí nos rádios, nas TVs, na internet e na essência da Sociedade Viva Cazuza, que vem, desde então, contribuindo para a sociedade, dando assistência para muitas pessoas portadoras de HIV.

Avaliação:   😊😊😊😊😊

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Coraline" - Neil Gaiman

E lá vamos nós começarmos o ano com um livro muito bom. Talvez muitas pessoas o conheça, seja pelo cinema, ou por causa do autor, ou até mesmo pela história em si. O livro se chama "Coraline", de Neil Gaiman. Autor muito conhecido por suas fantásticas obras, como Sandman, Deuses Americanos, O mistério das estrelas, entre outras, que vale a pena conferir.

O livro Coraline é uma mistura de horror e suspense, destinado para o público infantil que goste desse tipo de gênero, como diz minha filha 'assustador'. Mas também pode ser ideal para crianças grandes como eu (risos). Considerada como uma dessas personagens icônicas do mundo infantil, Coraline faz alusão ao personagem de Alice, da obra Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

Coraline se muda para uma casa muito velha, porém, ela e sua família não eram os únicos moradores. Moravam também as duas senhoras Spink e Forcible no apartamento abaixo do de Caroline, e acima, um velho maluco, adestrador de ratos.

O que Caroline gostava mesmo era de explorar locais. Saiu a explorar tudo o que rodeava a casa. Um dia choveu, e o que fazer em tempo chuvoso? Seu pai, então, deu a opção de explorar dentro de casa. Gostou da ideia e foi explorar. Diante da exploração, acaba achando uma porta que não dava em lugar nenhum. Tinha uma parede de tijolos apenas.

Naquela noite chuvosa, já na cama, ouviu um barulho estranho. Levantou-se e foi ver o que era. Viu uma forma negra sob um feixe de luz que iluminava o local. Tinha certeza que sua mãe tinha fechado a porta que não dava pro nada. Estranho!

No dia seguinte, o velho:

"— Os ratos têm uma mensagem para você — sussurrou. Coraline não sabia o que dizer. — A mensagem é a seguinte: Não passe pela porta. — Fez uma pausa. — Isso faz algum sentido para você?"

A Sra. Spink lendo as folhas de chá, diz a Coraline que ela corria sério perigo, dando a ela uma pedra com furo no meio, como meio de protegê-la.

Coraline, no dia seguinte, não se contendo, resolveu pegar a chave e abrir a porta. Para a sua surpresa, não havia mais a parede de tijolos, e sim, um corredor escuro. Resolveu entrar. De repente, algo inusitado e confuso. Do outro lado, seus pais, seus vizinhos, a casa, o gato, eram eles, mas ao mesmo tempo não eram, eram estranhos, tinham olhos de botões.

Sua mãe fez algo maravilhoso para comer, seu pai que nunca tinha tempo para ela, agora tinha. O gato que vivia sempre a rondar por lá, agora falava. Os brinquedos agora tinham vida. A casa parecia ser a mesma. Seu quarto era diferente, do seu agrado. A vida sem graça que ela levava, parecia ter mudado. Queria ficar, mas também queria ir. Seus novos pais não a proibiram e a deixaram ir. Sabendo que ela iria voltar. Atravessou a escuridão de olhos fechados, até bater em uma poltrona. Virou para trás e só viu tijolos.

Na casa, que não era a outra, seus pais haviam sumido. Muito estranho. Fez perguntas ao gato, mas agora, ele não mais falava. Viu no espelho antigo que tinha na casa, a imagem refletida de seus pais e ligou para a polícia:

"— Seqüestro. Meus pais foram raptados para um mundo do outro lado do espelho em nosso corredor."

Abriu a porta, atravessou o corredor, a procura de seus outros pais para tirar satisfação de seus pais. Percebeu que havia algo estranho por ali. A sensação anterior que ela tinha, não é mais a mesma. Aqueles olhos de botões...Acabou dormindo no mesmo teto que seus outros pais, em busca de informações, não se conformaria enquanto não encontrasse seus pais. Pressentia que corria perigo. O espelho se abre como uma porta, e sua outra mãe a empurra para dentro dele. Naquele lugar ela encontrou três formas. Uma delas diz:

"— Levará sua vida, tudo o que você é, tudo o que lhe é caro e não deixará nada a não ser neblina e névoa. Levará sua alegria. E, um dia, você vai acordar e seu coração e sua alma terão partido." 


Sua mãe de olhos de botão, gentilmente, a leva para tomar café. Coralina faminta que estava, toma o café e propõe em fazer um jogo, o jogo de exploração. Ela aceita e pergunta o que pretende procurar, obtendo como resposta, os pais dela.

Teria Coraline encontrado seus pais? Ou teria Coraline tido o mesmo destino das três formas?

Uma das formas havia dito:

"— Se, por acaso — disse uma voz no escuro —, você conseguir salvar seu papai e sua mamãe da bela dama, poderia também libertar nossas almas."

Hum! E qual o sentido dessa pedra? Talvez ela poderia me ajudar.

Todas as respostas para as perguntas e a aventura tenebrosa que Coraline teve, deixo para que vocês descubram. O livro é muito bom, não podia ser diferente, se tratando do livro de Neil Gaiman. Para o público infantil, que está acostumado com rainhas e princesas, essa é uma boa história para sair um pouco do mesmo e se aventurar em outros universos. Corra pegar o seu livro!

Avaliação:   😊😊😊😊😊

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

"A Vendedora de fósforos" - Hans Christian Andersen

Aproveitando que ainda estamos em clima de festas de final de ano. Hoje, eu vou escrever sobre um história que me faz lembrar muito essa época. A história é "A vendedora de fósforos", de Hans Christian Andersen, tenho certeza que muitos a conhecem por ter ouvido em algum momento da vida. Mas antes de começarmos a história, vamos entender um pouquinho do que há por trás dela, falando um pouco do autor.

Hans Christian Andersen nasceu em 2 de abril de 1805, na cidade de Odense, na Dinamarca, vindo a falecer em 1875. Como ele teve um infância pobre, conheceu desde pequeno os contrastes da sociedade. Sabia das diferenças entre o pobre e o rico, o poderoso e o impotente, o fraco e o forte. Devido a isso, muito dessas características estão presentes em suas obras. Seu desejo era mostrar que todos deveriam ter direitos iguais.

Já que conhecemos um pouco sobre o autor, agora eu vou contar a história.

A história se passa no finalzinho de tarde, na Dinamarca. Uma garotinha muito pobre, com os pés descalços, caminha pelas ruas, andando pela neve fofa. Seus pés estavam roxo de frio. Saíra de sua casa com chinelos que eram de sua mãe, porém eram tão grandes que ao atravessar uma rua, seu chinelo ficara enterrado na neve. O outro, um garoto levara embora.

No bolso de seu avental, uma caixinha de fósforos, em sua mão um feixe deles. Tentara vender durante todo o dia, mas as tentativas eram frustante. Nas janelas das casas, as árvores de Natal piscavam e mesas fartas para a ceia de Ano Novo começavam a ser posta. Ela estava com muita fome e frio. Ver aquilo, e sentir o cheiro das comidas, a deixava mais faminta. Queria ir para a casa. Pelo menos lá estaria mais quente, mas temia a surra que levaria de seu pai por não levar uma moeda para a casa.

Acomodou em um canto de uma casa. O frio era demasiado. Riscou um fósforo e envolveu a chama com a outra mão para tentar se aquecer. Viu uma lareira, estava ficando quente. De repente, tudo se apagou.

Riscou mais um fósforo. Viu uma mesa com um ganso assado fumegante, recheado com ameixas e maça. O fósforo se apagou e tudo sumiu.

Acendeu outro fósforo, e uma árvore com muitas luzes de vela, de repente, não eram velas e sim, estrelas. Uma delas caiu formando um longo rastilho, e se apagando. Lembrou de sua vovó que falava que quando uma estrela se apaga, alguma alma sobe para o céu.

Mais um fósforo foi aceso, e viu sua vovó.

"– Vovó! – gritou a pequena. – Leva-me contigo! Sei que não mais estarás aí quando o fósforo se apagar. Desaparecerás, como a boa lareira, o delicioso ganso assado e a grande, linda árvore de Natal!"

Acendeu rapidamente outro fósforo para que permanecesse a figura de sua vovó. E assim foi toda a sua caixinha de fósforo, até que sua imagem ficou grande. As duas voaram juntas para um lugar onde não teria mais fome e nem frio.

No dia seguinte, a menina ainda estava entre as duas casas com todos os fósforos queimados. Alguém disse:

"- Queria esquentar-se, a pobrezinha!"

Avaliação:   😊😊😊😞😞

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

"O Vilarejo" - Raphael Montes

Hoje eu vou escrever sobre um livro de um autor brasileiro, o Raphael Montes. Geralmente temos preconceito ao ler livros de autores nacionais, ainda mais se tratando do gênero policial, julgando-o ruim antes mesmo de lermos. Eu, a princípio, fui uma dessas. Estava acostumada a ler autores como Agatha Christie, Stephen King, ou até mesmo romances policiais como os livros de Sidney Sheldon, não esquecendo da febre atual dos livros de Stieg Larsson...e vi que estava enganada, temos coisas boas por aqui.

Muitas pessoas que adoram literatura policial já o conhecem, mas para aqueles que não o conhecem, deixo aqui o penúltimo livro que ele escreveu. O livro é "O Vilarejo" e conta com ilustrações maravilhosas de Marcelo Damm. Vocês irão ver algumas delas por aqui.

A história começa da seguinte forma, em 2014, Raphael Montes recebe uma ligação de um sebo em Copacabana, que lhe oferece alguns livros da falecida Elfrida Pimminstoffer. No meio desses livros ele encontra três cadernos de capa de couro, com textos escritos a mão, na língua cimério e com ilustrações tenebrosas. No interior das capas dos cadernos tinha o nome de Peter Binsfeld, que ao procurar na internet, descobriu que ele era um padre, teólogo e demonologista. Quis saber o que estava escrito, e pediu ajuda para o professor Uzzi-Tuzii, conhecedor da língua ao qual o texto estava escrito. Ele se recusou a ajudar, mas ofereceu um dicionário cimério-italiano. Assim, Raphael o traduziu.

O seu conteúdo era composto por sete histórias que se passava em um vilarejo, esse que por algum motivo não existe mais. Mas talvez você entenderá a causa após ler esse livro.

"O vilarejo, se existiu em algum momento, sumiu do mapa. Os cimérios desapareceram como se a terra os tivesse engolido."

Nele relata que o vilarejo encontrava dificuldades para que chegasse comida na região. As saídas estavam soterradas, de modo que ninguém entrava e nem saia. O lago estava congelado. O frio destruiu comércio e plantações. Muitos estavam morrendo.

Em o "Banquete para Anatole", o primeiro conto. Felika desesperada com a situação, junto com suas três crianças, fez um pequeno estoque de broto, raízes e ossos de rato para dar sabor na sopa. Mas por mais que ela tentou estender o estoque, de nada adiantou, acabou. Ninguém mais tinha comida. Anatole, seu marido, tinha ido para a floresta em busca de comida, mas ainda não voltara. Dias se passaram. As crianças não comiam há dois dias...Anatole chega com o que havia conseguido da floresta.

"Espanta-se que a esposa esteja tão sadia e corada. — Tenho dado meu jeito — gaba-se Felika. — Parece até um tanto mais... gorda!"

Ao chegar na sala, a procura das crianças, ele encontra um cenário de horror. O que teria visto Anatole?

A segunda história é "As Irmãs Vália, Velma e Vonda". Vália, dezessete anos, namorada de Krieger e irmã mais velha das irmãs gêmeas Velma e Vonda, treze anos. Todos os domingos Vália, com seu namorado, levava suas irmãs ao descampado para se encontrarem com sua amiga Jekaterina e poderem criar histórias. Em suas criações elas utilizavam pessoas do Vilarejo como seus personagens. Velma que era a mais mandona das irmãs, entendiada com a história que já tinham começado, propõe que começassem uma outra, cujo personagem seria Krieger. Mas Vonda em sua imaginação, acabou misturando os seus devaneios com a realidade...e o resultado infelizmente foi cruel. O que teria feito Vonda?

Uma outra história é "O negro caolho". Um negro chega no Vilarejo a procura de suas duas filhas. Seu nome era Mobuto. Ao chegar, Ivan, um morador do Vilarejo o espanca dizendo ser um monstro. Todos os moradores o apoiam nisso e continuam o massacre. Porém, Helga, uma moradora, ao ver fica injuriada com a cena e o salva das mãos do bruto, levando-o para sua casa. O negro passa a trabalhar para a mulher em troca de moradia e comida. O tempo passa e ele fica desconsolado porque se continuasse daquele jeito, iria ficar para o resto da vida naquela casa. Não vendo outra opção, começa a ficar rebelde. Helga passa a dar razão aos moradores do local e o trata mal...Qual teria sido o destino de Helga?

A quarta história é "A doce Jekaterina". Mikahil adormecido em um banco na ala hospitalar da cidade é despertado pelo choro de uma criança. Fora cansativo a sua viagem de trem até lá. Seus últimos vinte e cinco anos que passara no vilarejo resultou-o em uma aparência repugnante e piedosa. Suas lembranças passadas começaram a vir a tona. Era obcecado por mulheres fartas. Suas relações todas eram com prostitutas. Até algo o chamar atenção, Jekaterina, sua vizinha, uma jovem farta. Ele passa a persegui-la. Porém, um dia, ele abusa sexualmente da pobre garota. Os abusos começam a serem constantes. Mas um dia ela some, retornando muito tempo depois com uma surpresa para Mikahil...O que seria?

A outra história é "A verdadeira história de Ivan, o ferreiro". Ivan, preguiçoso que era, estava tomando coragem para ir atrás de alimentos e madeiras para se aquecer no frio. Comendo seus dois últimos biscoitos que tinham no pote, lembrou de quando suas encomendas chegaram no vilarejo, duas negras que vieram dentro de maletas, com idade entre sete ou oito anos. Elas seriam suas escravas e foram levadas para o porão, onde passariam a viver. Mas de onde viera essas meninas? Depois lembrou de uma visita inesperada, que afinal, ele esperava há tempos. Quem seria?

Em "O porquinho de porcelana da Sra. Branka", o sexto conto, Latasha era uma menia orfã que foi criada por sua avó por parte de mãe, a Sra. Branka. Sua avó se dedicava a costura, que vez ou outra saia para entregar as costuras na cidade ou para falar com o seu contador. Então, desde pequena aprendeu a se virar sozinha. Também aprendeu a dar valor no dinheiro. Mas o tempo passou, os gastos aumentaram, enquanto o que ganhava era pouco para sustento. A medida que Latasha ia crescendo, mais gastos tinham. Ganharam um porquinho de porcelana do contador para que poupassem o dinheiro. A orfã já não aguentava mais a avó e a suas mesquinharias. Sua avó fissurada por dinheiro que era, teve que fazer algo muito radical. O que teria feito a Sra. Branka?

E para finalizar, a última história: "Um homem de muitos nomes". Anatole saíra  a busca de alimentos. Já estava fora de casa há dias, prestes a morrer no meio da floresta e sem nada caçado. Pensa nos três filhos e em sua esposa Felika, quando de repente recebe a ajuda de um velho e desconhecido, que o alimenta. O velho oferece suas caças para que ele pudesse levar. Chegando em sua casa, cumprimenta a sua mulher com um beijo demorado, vai ao encontro das crianças e o cenário é de horror. Quem seria esse homem que o ajudou?

Todos os acontecimentos tenebrosos do vilarejo foram desvendados.

"— Meu caro Anatole, estou feliz em vê-lo novamente. — O velho curvado surge de um canto escuro e estende a mão numa saudação cordial. — Fez bom uso da comida que lhe dei?"

Quem escrevera esses contos? Raphael Montes procura a bisneta de Elfrida Pimminstoffer, Ana, e fica encabulado ao descobrir informações de quem escrevera esses contos. Então, por meio de uma foto, Raphael descobre o verdadeiro autor. Quem seria? Teria mesmo existido o vilarejo? Você fica com um misto de que talvez sim, ou não.

"Tentei saber a origem de Elfrida, mas Ana não tinha muito a dizer. A bisavó morava na região da Ciméria, no Leste Europeu. Quando resolveu vir para o Brasil, fugindo de uma guerra civil, assumiu um novo nome — Elfrida — e fez aqui sua família."

Para quem não leu "O Vilarejo", eu aconselho que leia. Um livro muito bom, onde seus contos são muito bem amarrados entre um personagem e outro, o que faz com que a gente vá entendendo o porque das situações. Ele traz sete contos, cada um como forma de representação de um dos sete pecados capitais e seu respectivo demônio. São eles: Belzebu (gula), Leviathan (inveja), Lúcifer (soberba), Asmodeus (luxúria), Belphegor (preguiça), Mammon (ganância) e Satan (ira). Como o gênero do livro é policial, não tinha porque eu ficar detalhando muito os fatos no resumo, por isso, deixei para que vocês lessem e descobrissem por conta própria muitas coisas que não escrevi aqui. Corra pegar o seu livro!

Avaliação:   😊😊😊😊😊